Hiroshima e Nagasaki: o fruto da guerra

06/08/2018 Fatos da Vida

Hiroshima e Nagasaki: o fruto da guerra

Cidade do Vaticano

"Hiroshima e Nagasaki distinguem-se [...] como as primeiras vítimas da guerra nuclear. [...] Os nomes de muitos - muitos - lugares são recordados acima de tudo porque testemunharam o horror e o sofrimento produzidos pela guerra".

Com estas palavras o Papa João Paulo II, durante sua visita ao "Memorial da Paz" em Hiroshima em 1981, recordava os terríveis acontecimentos que envolveram as duas cidades japonesas, destruídas pelo primeiro ataque atômico na história em 6 e 9 de agosto de 1945. As explosões, que puseram fim tragicamente à Segunda Guerra Mundial, mataram milhares de pessoas não só no momento da explosão, mas também nos anos posteriores como consequência dos efeitos da radiação.

Um compromisso pelo futuro e pela paz

Mas recordar também é um "bem" porque, como explicou o Papa Wojtyla em Hiroshima, significa "comprometer-se com o futuro", "pela paz" e "renovar a nossa fé no homem, na sua capacidade de fazer o que é bom, na sua liberdade de escolher o que é certo". Uma recordação que deve pertencer a todos, mas sobretudo "àqueles que amam a vida na terra" e que "devem exortar os governos [...] a agir em harmonia com os pedidos de paz". "A paz deve ser sempre o fim, a paz deve ser perseguida e defendida em todas as circunstâncias".

Um perigo sempre atual

Recordar serve também para evitar que  produza ainda danos porque – dizia São João Paulo II em 1981 -  a presença de armas nucleares e sua contínua produção indicam "que há um desejo de estar prontos para a guerra e estar prontos quer dizer ser capaz de iniciá-la; significa, também, que subsiste o risco de que a qualquer momento, em qualquer lugar, de qualquer forma, alguém poderia colocar em movimento o terrível mecanismo de destruição geral".

Este dia interpela aqueles que se interrogam sobre a vida

Um temor que o Papa emérito Bento XVI chamou de "escuridão". "Depois de duas guerras mundiais, os lager e os gulag, Hiroshima e Nagasaki, a nossa época tornou-se um Sábado Santo em medida cada vez maior", disse diante do Santo Sudário, durante sua visita pastoral a Turim, em 2 de maio de 2010. "A escuridão desse dia interpela todos os que se questionam sobre a vida, de modo particular interpela a nós, crentes. Também nós somos responsáveis por esta escuridão".

Os apelos de Francisco

Também o Papa Francisco, como seus predecessores, demonstrou em diversas ocasiões a preocupação com o uso de armas nucleares, defendendo fortemente o "completo desarmamento". "Há setenta anos – afirmou no Angelus de 9 de agosto de 2015 -  [...] ocorreram os terríveis bombardeamentos atômicos de Hiroshima e Nagasaki. À distância de muito tempo, esse trágico evento ainda suscita horror e repulsão. Ele tornou-se o símbolo do desmedido poder destrutivo do homem quando faz uso deturpado dos progressos da ciência e da técnica, e constitui uma advertência perene para a humanidade, a fim de que repudie para sempre a guerra e proíba as armas nucleares e qualquer arma de destruição de massa". 

E novamente em 2017 quando, em 2 de dezembro, no voo de volta de Bangladesh, denunciou com preocupação os riscos atuais: "Hoje estamos no limite da legalidade de ter armas nucleares. Por quê? Porque hoje, com um arsenal nuclear tão sofisticado, se corre o risco da destruição da humanidade, ou ao menos, a maior parte da humanidade ".

Francesco e as crianças de Nagasaki

Mas das fortes palavras de Francisco sobre o tema, um gesto seu retorna à memória. Em janeiro passado, em voo para o Chile, a primeira etapa de sua 22ª Viagem Apostólica, o Papa na conversa com os jornalistas, expressa o receio de que um acidente possa desencadear uma guerra nuclear e compartilha uma foto simbólica.

Trata-se de uma fotografia obra do estadunidense Joseph Roger O'Donnell, feita após as explosões nucleares nas duas cidades japonesas, Hiroshima e Nagasaki. Aparecem duas crianças: uma parece dormir nos ombros da outra. Na realidade ela está morta. "É uma criança com seu irmãozinho nas costas", explica Francisco, "aguardando a sua vez na frente do forno crematório em Nagasaki, depois da bomba. Fiquei comovido quando a vi e me atrevi a escrever: "O fruto da guerra". E eu pensei em imprimir e dar para vocês, porque essa imagem comove mais do que mil palavras ".

Além da dor, esperança pela paz

Apesar de tantas atrocidades e mortes, a esperança por um mundo de paz sempre existe. O próprio São João Paulo II, elogiando a decisão do Japão de transformar o monumento do bombardeio em um monumento da paz, afirmava em 1981 em Hiroshima: "Eu não posso deixar de honrar [...] a sábia decisão das autoridades [...] segundo as quais o monumento em memória do primeiro bombardeio nuclear deveria ser um monumento à paz. Assim fazendo, a cidade de Hiroshima e todo o povo do Japão expressaram vigorosamente sua esperança por um mundo de paz e a sua convicção segundo a qual o homem que faz a guerra é também capaz de construir com sucesso a paz [...]. Àqueles que acreditam em Deus, digo: [...] tornemo-nos conscientes do fato que o amor e a participação não são ideais longínquos, mas o caminho rumo ao fortalecimento da paz, a paz de Deus”.

Acesse o video.

fonte: www.aleteia.org

Sobre nós

A Comunidade Esdras - Associação Bom Pastor é uma associação privada de leigos católicos, criada na cidade de Montes Claros-MG, que tem por objetivo a promoção da pessoa humana e o seu desenvolvimento integral. Desenvolve suas atividades através de programas radiofônicos diários, palestras, atendimentos pessoais, cursos em toda a região do Norte de Minas Gerais.

Entre em contato

Rua Grão Mogol, 313, Centro. Montes Claros - MG, 39400-056

(38) 3201-8144

Redes sociais

Desenvolvido por W42 - Tecnologia