Uma só lingua

17/05/2018 Dom José Alberto Moura Artigos

Uma só lingua

A bíblia narra a história da torre de Babel. Nela vem apresentada a vontade de o ser humano se unir para chegar ao céu e dominar tudo como tivesse o poder divino. Mas, com esse intento, o ser humano erra e se desentende, não conseguindo realizar seu projeto de dominação (Cf. Gênesis 11,1-9). Apoderar-se do divino sem seu poder leva a humanidade a viver em verdadeira confusão. Só um homem é Deus, o Filho dele. Provou-o sua ressurreição. Andando como e com Ele aprendemos a falar, mesmo com línguas ou realidades diferentes, a linguagem que nos leva à união e a divinização do humano na caminhada neste planeta. Só com a linguagem do amor é que vamos nos entender para nos ajudarmos mutuamente e, assim, construiremos uma sociedade mais justa.

A ação do Espírito Santo inundou os discípulos de Jesus no dia de Pentecostes, para eles superarem o medo e se encherem de entusiasmo para propor a todos o caminho que leva ao entendimento, à promoção da justiça e da solidariedade. Esse mesmo Espírito atua em pessoas do bem, que ajudam a humanidade a ter o coração  compassivo e disponível, com a humildade de saberem que são instrumentos de Deus para a promoção do bem comum. O esforço para a superação das rivalidades, dos ódios e dos mecanismos de morte faz com que muitos se coloquem em ações de real serviço aos mais frágeis e carentes de promoção e superação de seus males.

O apóstolo Paulo mostra a realidade humana que vive como em dores de parte, devido aos males causados pelo pecado e toda a maldade na convivência social (CF. Romanos 8,22-14). De fato, as armas feitas para as guerras e mortes, o flagelo da forme de um quarto da humanidade, assassinatos e mortes no trânsito aos milhares, exclusões sociais aviltantes, corrupção bastante ampliada e outros males só podem ser combatidos e superados com a consciência do verdadeiro amor trazido pelo Filho de Deus e inoculado nos corações pelo Espírito Santo.  Quem tem sinceridade de coração e coopera com a ação desse Espírito fala a linguagem do Cristo e colabora com o entendimento e promove a solidariedade humana, superando a Torre de Babel.

 Usufruimos da água da fonte de Cristo (Cf. João 7,37-39) quando nos deixamos impulsionar por seu amor, na atitude de quem se embebe do líquido santo da compaixão, da vontade de ser canal de condução da  verdade, do caminho e do amor dele para ajudar quem precisa de compreensão, de justiça e de paz.

Muitos complicam a convivência devido a seu fechamento em si mesmo e falta de altruísmo e sensibilidade em relação às carências do semelhante. A linguagem do amor nos torna mais felizes por sabermos viver com mais riqueza de doação. É mais fácil convivermos no entendimento do que na rispidez e fechamento em relação aos outros. Basta experimentarmos ser mais solidários para percebermos que somos mais felizes em dar do que em só querer receber!

 

D. José Alberto Moura, CSS

Arcebispo Metropolitano de Montes Claros, MG

 

 

               

 

Dom José Alberto Moura

Arcebispo Metropolitano de Montes claros - MG

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